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terça-feira, 17 de novembro de 2015

As partidas que a vida nos dá.


Tudo começou à três anos, exactamente por esta altura. A minha tia, fez uns exames devido a uma anemia. Pretendia fazer um check up para tentar engravidar. A minha tia tinha 43 anos nesta altura, tinha finalmente encontrado uma pessoa que a queria para a vida.
Passámos o Natal juntas, sempre adorei passar este dia com ela, este e todos os dias do ano se assim o pudesse. Ela sempre foi alegre, de fácil gargalhada, protegeu-me e aconselhou-me, deu-me colo em todas as minhas crises pessoais, festejou comigo todas as minhas conquistas, fez o primeiro albúm da minha filha e tantas outras coisas que são impossíveis de descrever, apenas sentir.

O resultado chegou, um pólipo de 7cm no colo do recto, cancro e uma promessa de sonhos desfeitos. Nunca tinha presenciado de tão perto esta doença, e apesar de ninguém a merecer, a minha tia era de todas as pessoas a que a menos merecia.
Levamos a vida, um dia de cada vez, não poderia ser de outra maneira.
Fiquei grávida, fomos juntas a consultas, umas minhas outras dela, esteve lá quando soubemos que seria uma menina. Foi a primeira pessoa da minha família a visitar-me, a minha tia e a minha avó. Nós as três, um elo impossível de quebrar.

Em Junho deste ano, chegam os cuidados paliativos, o meu coração parou naquele momento. Era tarde, a consulta já tinha sido à uns dias, custava-me ligar-lhe cada vez mais, custava-me saber noticias, senti-a, senti naquele momento que não podia adiar mais fazer-lhe aquela ligação, tinha saudades dela, e depois daquela crise em que a voz dela se apagou aproveitava para lhe ligar nos meus intervalos, todos os dias. Liguei-lhe, de ferro de passar na mão, senti-me a tremer e ela disse-me, disse-me o que eu não queria ouvir. Era meia noite e eu acho que não dormi nessa noite. Será que ela viveria muito tempo naquela situação?
Na manhã seguinte, no meu pequeno almoço, liguei-lhe mais uma vez. Senti as dores dela no meu telefonema, disse-lhe que gostava muito dela e decidi que me casaria o mais breve possível. Fui à igreja da minha residência, marquei a data mais próxima. A minha tia seria a minha madrinha, estava combinado desde sempre, e a minha tia tinha que lá estar com o seu vestido Fátima Lopez. Tudo isto não me serviu de muito. A minha tia morreu no dia 15 de Junho.

Casei-me dia 25 de Julho como tinha marcado, preparamos um casamento em um mês, fiz enormes cortes, não tive lua de mel, não tivemos um copo de água numa quinta, não tivemos fotografo, não tive muitas pessoas importantes presentes, mas ela sei que esteve.

Passado estes meses, só agora consigo escrever estas linhas mal conseguidas. As saudades apertam, lembro-me todas as noites, em todos os momentos de silêncio, só queria que ela aqui estivesse, presente, só isso.

A minha tia foi uma lutadora, e sei o que ela queria para mim, queria que eu fosse feliz, queria que eu me realizasse. E eu hei-de cumprir-te esse sonho.



Pray and Change for you,

M

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Hoje começa mais um fim de semana

E eu só precisava de um dia assim, um dia, dois, três, uma semana, eu só precisava de férias. Férias para dormir, férias para ler, férias para pesquisar novas conquistas, criar novos sonhos, persistir nas mesmas batalhas diárias, férias para namorar a minha família, para amar ainda mais o meu homem, férias que vêm no final do mês, e vão demorar a chegar. 

Pensar de uma forma positiva com o corpo e a mente cansada não é fácil, mas podemos sempre dar o nosso melhor dia após dia, acordar revoltada mas mudar o humor a cada café da manhã, sozinha ou acompanhada, não há desmotivação que prevaleça depois de uma chávena de café, aquele aroma inebriante deixa-me logo com outra disposição, e assim se começa um novo dia, passo a passo, até chegar à meta tão almejada.

Até lá.



Perfect for a lazy weekend in, shop the coziest (and chicest) loungewear of the season:

Have fun,
M

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Domingos de trabalho

Já há muito que deixei para trás os domingos em família, domingos de programas de puro relax ou das habituais lides domesticas, mais do que os domingos, o sábado também já havia deixado de o ser. Hoje, mais uma vez, as "mamas". Sempre as mesmas meninas, chamam por mim, e lá vou eu, cumprir o meu dever.

Ontem o dia foi desgastante, deixei-me levar pelo cansaço, cheguei a casa e dormi, dormi para esquecer o dia que não passei com a minha família, não tirei a maquilhagem  para não me olhar ao espelho, e dormi, dormi para restabelecer a alma. E descobri que mesmo a adormecer às 22h da noite não consegui acordar mais cedo do que as 8:30h, não há solução para uma pessoa que gosta de dormir.

Pelos três fins de semana que se avizinham a trabalhar, hoje cheguei a casa e limpei toda a carga negativa com o melhor ritual de beleza, um banho bem quente, o creme Nivea em todos os cantos do corpo e o meu pijama estrelado.

Boa noite e que amanhã comece uma nova semana, uma semana sempre melhor que a anterior.


"there's nothing more beautiful than a woman who takes care of herself, when you drink water, take care of your skin, work out, and work on your mind, body and spirit. You are going to be beautiful, regardless." - Beyoncé

Have fun,
M

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Falta de ti

São horas da madrugada, é tarde para estar aqui, mas só o silêncio me permite o encontro comigo mesma, o silêncio e a solidão. A menina, apesar de pequena, dorme fora, o ainda noivo, trabalha o turno da noite, e eu sinto o espaço só meu, disponível para ouvir a música que me aquece a alma, que enche a casa fria com o som que não o da minha voz.

Hoje estou especialmente melancólica, na verdade é um estado que me atinge há alguns dias. Perguntas porquê? Não sei, amor. Talvez pela música que enche a casa fria, talvez pelos textos lindos que o teu pai escreveu, talvez pelos tempos apressados que vivemos, talvez pela falta de paciência para as lides diárias, talvez pela falta de aconchego dos dias quentes, talvez pela minha ausência no Cais da Ribeira, talvez pela falta de oxigénio limpo, talvez pela falta de bondade alheia, talvez por saudades dos "meus", talvez pela falta de fotografias carinhosas na nossa casa, pela falta da nossa filha neste fim de semana, talvez pelo trabalho que me faz chegar atrasada ao ritual de deitar a nossa pequena,talvez pela falta de tempo, tempo a minha palavra de 2014, talvez pela falta de conhecimento adquirido, pela motivação que teima em não aparecer, talvez, talvez. 

E de repente escrevo, sem a inspiração que tenho sempre querido, mas com a alma que nem sempre encontro, com o espírito cheio de sentimentos, que nem eu, pela falta contínua de inspiração, consigo transmitir, hoje sinto-me melancólica.

Esta noite decidi ficar aqui, escrever, não sei bem o quê, decidi não revoltar a cama fria, decidi não sentir a tua ausência, decidi ficar com as olheiras que as poucas horas de sono me podem trazer. Não te preocupes, sou só eu a querer que me acordes com o teu abraço, que me digas mais uma vez que sou a tua princesa, que me amas, que me digas só mais muitas vezes, uma não me chega, jamais chegará, afinal amar é assim?

Sinto-me aquela adolescente com medo da noite, apetece-me pegar nos phones bandolete da Sony, ajeitá-los ao tamanho da minha cabeça, e adormecer ao som da música, adormecer até que o cd acabe, afinal a melancolia traz recordações, nem boas nem más, traz hábitos levados com o tempo. Aposto que nunca suspeitaste, que a mulher a quem deixas para cumprir o teu dever tem medo da noite, não do escuro, mas da noite, aposto que nunca imaginaste, que a mulher que adora aconchego sente os sonhos passarem a pesadelos quando não estás, hábito terrível este de aconchegar, hábito terrível este de não saber estar só, nem que seja por uma, duas, três, quatro noites.

Não te preocupes, sou só eu a querer que me acordes com o teu abraço, que me ralhes porque me deitei tarde, mas que me abraces, que me beijes e que me digas sempre que me amas.


Sempre,
M